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	<title>facebook &#8211; Frullani Lopes</title>
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		<title>A nova fase de regulação das redes sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 00:23:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[No dia 25 de abril, foi anunciada a compra do Twitter pelo bilionário Elon Musk. O fato causou grande alvoroço, já que o empresário nascido na África do Sul é um notório defensor da liberdade de expressão quase irrestrita nas redes sociais. Um acontecimento que gerou muito menos repercussão, mas que representa um grande passo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 25 de abril, foi anunciada a compra do Twitter pelo bilionário Elon Musk. O fato causou grande alvoroço, já que o empresário nascido na África do Sul é um notório defensor da<a href="https://frullanilopes.adv.br/marco-civil-aumenta-inseguranca-sobre-liberdade-de-expressao/"> liberdade de expressão</a> quase irrestrita nas redes sociais. Um acontecimento que gerou muito menos repercussão, mas que representa um grande passo em um processo de transição do cenário de regulação das redes sociais, foi o acordo entre Conselho e Parlamento Europeu, dois órgãos que compõem a União Europeia, quanto a uma proposta que atribui novas obrigações às empresas que administram as redes sociais.</p>
<p>No início dos anos 1990, quando a internet se disseminava pelo mundo, muitas pessoas defendiam que não seria desejável que o poder estatal se imiscuísse no ambiente digital, pois este deveria ser um local em que prevaleceria a liberdade individual. No entanto, essa visão utópica nunca se concretizou completamente, de modo que a internet passou a sofrer regulamentação governamental entre o final do século 20 e o início do 21.</p>
<p>Dentre as várias questões relevantes que foram objeto de regulamentação, destaco duas que são o foco deste artigo: (1) As empresas prestadoras de serviços na internet que permitem que usuários publiquem conteúdo próprio devem ser responsabilizadas caso esse conteúdo seja ilícito?; (2) Essas empresas devem atuar para prevenir a disseminação desse tipo de conteúdo?</p>
<p>De modo geral, prevaleceu nos países ocidentais o entendimento de que, como regra, as empresas não devem ser responsabilizadas por conteúdo ilícito publicado por terceiros, com exceção da hipótese na qual sejam notificadas da existência desse conteúdo e não o excluam (a depender do caso, a notificação pode ser extrajudicial ou judicial). Ou seja, não há obrigação de atuar para prevenir a publicação de conteúdo ilícito, bastando o papel passivo de reagir em caso de notificação. Essa visão influenciou o Marco Civil da Internet <a href="https://frullanilopes.adv.br/a-responsabilidade-do-provedor-no-marco-civil-da-internet/">A responsabilidade do provedor no Marco Civil da Internet</a>(Lei nº 12.965/2014), lei brasileira que regula o ambiente digital.</p>
<p>Segundo o raciocínio que embasou essas legislações, as administradoras de redes sociais são meras intermediárias passivas, pois prestam serviços que possibilitam que usuários publiquem textos, sons, imagens ou vídeos direcionados a um grupo seleto de contatos ou ao público em geral, de modo que não poderiam ser responsabilizadas por danos causados por essas publicações. Caso contrário, haveria um risco à liberdade de expressão, pois as empresas acabariam excluindo um número grande de publicações para evitar problemas.</p>
<p>Com o advento das redes sociais, como Orkut, Facebook, Instagram e Twitter, essa isenção de responsabilidade continuou vigente na maior parte dos países. No entanto, várias pesquisas passaram a demonstrar a influência da arquitetura das redes sociais para a disseminação de conteúdo nocivo à sociedade, como discurso de ódio e negacionismo. Com isso, caiu por terra o discurso de que as redes sociais configuram plataformas neutras nas quais não há qualquer interferência das empresas que as administram quanto às publicações às quais os usuários têm acesso.</p>
<p>Diversos casos demonstraram na prática que as redes sociais se tornaram uma ameaça à democracia. Apesar de haver situações ao redor de todo o mundo, obviamente foram acontecimentos que atingiram os países desenvolvidos que geraram maior comoção, como o Brexit no Reino Unido, a eleição de Donald Trump e a invasão do Capitólio nos EUA, bem como o negacionismo em relação à pandemia de covid-19. Esses fatos demonstraram que discursos que se disseminam nas redes sociais, com auxílio da arquitetura dessas plataformas, criam ameaças gravíssimas no mundo real. Esse cenário estimulou discussões que visam a alterar o modelo de regulamentação das redes sociais.</p>
<h2><span>A regulação das redes sociais na Europa </span></h2>
<p>Em dezembro de 2020, a Comissão Europeia publicou uma proposta de Regulamento de Serviços Digitais, que não extingue a regra de isenção de responsabilidade dos provedores por conteúdo publicado por terceiros, mas acrescenta diversas normas de devida diligência (due diligence) que devem ser seguidas pelos provedores, sob pena de aplicação de multa de até 6% do seu faturamento mundial, além de outras sanções.</p>
<p>Dentre as diversas novidades trazidas pelo Regulamento, podem ser destacadas as seguintes: (1) as empresas que prestem serviços mas não tenham sede na União Europeia devem designar uma pessoa física ou jurídica para ser sua representante legal; (2) as plataformas devem tornar mais transparentes suas políticas e seus procedimentos para a moderação de conteúdo, explicando inclusive em quais casos haverá análise por humanos ou por sistemas computacionais; (3) as empresas devem apresentar, pelo menos uma vez por ano, relatórios claros e facilmente compreensíveis sobre as atividades de moderação de conteúdo; (4) devem ser criados mecanismos simples e claros por meio dos quais os usuários podem sinalizar publicações que consideram ilícitas; (5) em caso de remoção de conteúdo, as empresas devem expor claramente os motivos dessa decisão.</p>
<p>Além disso, o Regulamento cria algumas regras direcionadas especificamente a plataformas de grande dimensão. Trata-se de uma solução correta, já que as grandes plataformas devem receber tratamento diferenciado em função do elevado risco que representam. Dentre essas regras, cabe destacar as seguintes: (1) as plataformas devem realizar, pelo menos uma vez por ano, uma análise de riscos sistêmicos significativos decorrentes do uso de seus serviços, devendo atuar para atenuar esses riscos; (2) essas plataformas devem passar por auditoria independente que avalie o cumprimento de suas obrigações; (3) as plataformas que utilizam os chamados “sistemas de recomendação”, ou seja, algoritmos que determinam o que os usuários veem de acordo com o perfil de cada um, devem fornecer nos termos de uso informações claras sobre os parâmetros utilizados para formar esses perfis, bem como possibilitar aos usuários que alterem ou influenciem esses parâmetros; (4) em situações de crise, como guerra ou pandemia, essas plataformas poderão participar das discussões envolvendo a criação de medidas emergenciais mais rigorosas para combater a publicação de conteúdo nocivo.</p>
<p>O Regulamento em questão foi objeto de acordo entre Conselho e Parlamento Europeu no dia 23 de abril. Apesar de ainda precisar passar por diversos trâmites até entrar em vigor (a previsão é que isso ocorra em 2024), pode-se dizer que esse acordo representa um novo passo em um processo de transição das normas de regulamentação das redes sociais. Ou seja, está sendo superada aquela visão de que as plataformas são meras intermediárias neutras que devem ocupar um papel meramente passivo na moderação de conteúdo; em seu lugar, há uma tendência de que sejam atribuídas novas obrigações para que essas plataformas sejam mais ativas no combate à disseminação de conteúdo ilícito e que aumentem o nível de transparência de seus mecanismos de recomendação e de moderação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Publicado no <a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/A-nova-fase-de-regula%C3%A7%C3%A3o-das-redes-sociais" rel="nofollow noopener" target="_blank">Nexo Jornal</a>.</p>
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		<title>AGU diz que Bolsonaro usa redes sociais como ‘cidadão’ para tentar afastar responsabilidade do presidente por posts</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 03:25:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O sócio Marcelo Frullani Lopes foi entrevistado em reportagem publicada no blog Sonar, do jornal O Globo, para tratar de algumas discussões jurídicas a respeito dos perfis do Presidente da República em redes sociais. Reportagem no blog Sonar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O sócio<span> </span><a href="https://www.facebook.com/marcelofl1990?__cft__[0]=AZVvShQoqJxrswLCP2tN70U9DDo26P6CYRCX5j3bV8U-qUK1IMUqX9vCdUZ9bWgnAIdZu8x9VTdWtEvuhy58m7sntTM0EZKEGNTf0kIvKaYYBAc1EGTPJABjEa3bb1teOPjeRpohdRhma1s1xz9SYmHGHm6dC2EuiyKYBHjQP5CS_ghydUtlylFM50_nDCCif0I&amp;__tn__=-]K-R" rel="nofollow noopener" target="_blank">Marcelo Frullani Lopes</a><span> </span>foi entrevistado em reportagem publicada no blog Sonar, do jornal<span> </span><a href="https://www.facebook.com/jornaloglobo/?__cft__[0]=AZVvShQoqJxrswLCP2tN70U9DDo26P6CYRCX5j3bV8U-qUK1IMUqX9vCdUZ9bWgnAIdZu8x9VTdWtEvuhy58m7sntTM0EZKEGNTf0kIvKaYYBAc1EGTPJABjEa3bb1teOPjeRpohdRhma1s1xz9SYmHGHm6dC2EuiyKYBHjQP5CS_ghydUtlylFM50_nDCCif0I&amp;__tn__=kK-R" rel="nofollow noopener" target="_blank">O Globo</a>, para tratar de algumas discussões jurídicas a respeito dos perfis do Presidente da República em redes sociais.</p>
<p>Reportagem no blog<span> </span><a href="https://blogs.oglobo.globo.com/sonar-a-escuta-das-redes/post/agu-diz-que-bolsonaro-usa-redes-sociais-como-cidadao-para-tentar-afastar-responsabilidade-do-presidente-por-posts.html" rel="nofollow noopener" target="_blank">Sonar</a>.</p>
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		<title>2020 deve ser ano central para a regulação das redes sociais nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 03:11:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pandemia do novo coronavírus tornou a moderação rápida e eficiente de conteúdo falso ou descontextualizado O ano de 2020 certamente ficará marcado na memória de muitas gerações. A disseminação do novo coronavírus ao redor de todos os continentes e a realização de uma das eleições presidenciais mais conturbadas e importantes da história são fatores decisivos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-subtitle">Pandemia do novo coronavírus tornou a moderação rápida e eficiente de conteúdo falso ou descontextualizado</h3>
<p>O ano de 2020 certamente ficará marcado na memória de muitas gerações. A disseminação do novo coronavírus ao redor de todos os continentes e a realização de uma das eleições presidenciais mais conturbadas e importantes da história são fatores decisivos para o futuro de todo o planeta. No meio desse caldeirão de acontecimentos, verifica-se um aumento da pressão, vinda de todos os espectros ideológicos, para a criação de novos modelos de regulação das redes sociais.</p>
<p>Há quatro anos, a eleição inesperada de Donald Trump acendeu um alerta para os riscos causados por uma postura neutra e indiferente de empresas gigantes da área de tecnologia, como Facebook, Twitter e Google, quanto ao conteúdo publicado pelos usuários e quanto a comportamentos inautênticos e coordenados que manipulam o debate público.</p>
<p>Por atuarem no ambiente digital, as regras aplicadas a essas empresas nos EUA produzem efeitos em todos os países. Assim, a Seção 230 do<span> </span><em>Communications Decency Act</em>, que prevê uma isenção de responsabilidade das plataformas pelo conteúdo publicado por usuários norteou a postura dessas empresas. O objetivo delas era, basicamente, não atuar como um “editor” do conteúdo publicado, de modo que não haveria responsabilização por danos causados a terceiros.</p>
<h2>Desinformação abre debate para reuglação das redes sociais nos EUA</h2>
<p>Porém, na medida em que ficou evidente a relevância da desinformação e da manipulação dos dados pessoais dos usuários para o resultado das eleições, em especial após a divulgação do escândalo da<span> </span><em>Cambridge Analytica</em>, houve um aumento da pressão para que o modelo de regulação das redes sociais fosse alterado, com atribuição de maiores responsabilidades a essas empresas.</p>
<p>Num primeiro momento, a discussão partiu especialmente dos setores mais progressistas da política norte-americana. Até por isso, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, chegou a ensaiar uma aproximação com Trump, aproveitando-se da guerra comercial contra a China para apresentar sua empresa como um contraponto ao avanço de aplicativos como o<span> </span><em>TikTok</em>.</p>
<p>Acontecimentos do atribulado ano de 2020 devem, no entanto, tornar inevitável o avanço para um novo modelo de regulação das redes sociais. No começo do ano, a pandemia do novo coronavírus tornou a moderação rápida e eficiente de conteúdo falso ou descontextualizado algo central para salvar milhares de vidas. Neste momento em que as pesquisas de diversas vacinas avançam, preocupa a disseminação de conteúdo antivacinação.</p>
<p>A neutralidade e o distanciamento mencionados acima passaram a ser malvistos por grande parte das pessoas, já que suas vidas e as de seus amigos e familiares encontram-se em risco. Dessa forma, até mesmo presidentes de países, como Trump e Bolsonaro, sofreram restrições em algumas de suas publicações.</p>
<p>Além disso, um outro fator ocorrido neste final de ano deve estimular o debate sobre regulação de redes sociais. Em meados de outubro, o jornal<span> </span><em>The New York Post</em>, de Rupert Murdoch, publicou uma reportagem com denúncias que atingiam Hunter Biden, filho do candidato democrata Joe Biden. Algumas passagens da reportagem foram objeto de muito questionamento por parte de outros veículos da imprensa, como<span> </span><em>New York Times<span> </span></em>e<span> </span><em>Washington Post</em>, mas os detalhes não vêm ao caso. O importante, aqui, é discutir as medidas erráticas tomadas pelas redes sociais.</p>
<p>Num primeiro momento, o Twitter suspendeu a conta do jornal e bloqueou o acesso à reportagem, alegando que ela conteria material obtido por meio de um hacker e que seriam de cunho particular, o que supostamente contrariaria suas políticas. Poucos dias depois, o CEO Jack Dorsey afirmou que a decisão havia sido equivocada. O Facebook, por sua vez, não chegou a excluir o conteúdo ou suspender a conta do jornal, mas limitou o alcance da publicação enquanto os checadores de fatos não finalizassem a investigação.</p>
<p>Isso pode estimular os setores mais<a href="https://frullanilopes.adv.br/o-entrincheiramento-da-direita-nas-redes-sociais/"> conservadores da política</a> norte-americana a entrarem de vez no debate acerca da regulação das redes sociais. Aliás, em audiência realizada no Senado Federal norte-americano na última semana de outubro, os CEOs do Twitter e do Facebook foram muito questionados por parlamentares republicanos acerca do caso<span> </span><em>New York Post</em><sup>[1]</sup>. Sentindo a nova tendência, os executivos se mostraram mais flexíveis para discutir eventual atualização das regras.</p>
<p>Portanto, 2020 pode ser lembrado no futuro como um ano decisivo no qual as grandes empresas que administram as redes sociais se viram obrigadas a mudar de estratégia, passando a atuar de forma mais proativa para evitar a <a href="https://frullanilopes.adv.br/em-tempos-de-coronavirus-ha-tambem-a-pandemia-da-desinformacao/">disseminação de desinformaçã</a>o e a manipulação do debate público.</p>
<p>Além disso, a pressão generalizada de diversos setores da sociedade norte-americana deve fazer com que um novo modelo de regulação que torne o processo de moderação de conteúdo mais transparente e criterioso seja discutido, o que certamente causará impactos em todos os países nos quais elas atuam. Não será fácil, porém, encontrar pontos de consenso em uma sociedade tão polarizada quanto a norte-americana.</p>
<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/redes-sociais-eua-16112020?fbclid=IwAR26KOHUCwRmEA9yaKY_j3EpH2Q33z0ypPWyyxCnLt6gYm5fffaeyQlQtyo#_ftnref1" rel="nofollow noopener" target="_blank">[1]</a><span> </span>Após a eleição, o Twitter inseriu notificações nas publicações em que Trump questionava a confiabilidade das apurações, o que também deve causar insatisfação entre os republicanos.</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/redes-sociais-eua-16112020" rel="nofollow noopener" target="_blank">Jota</a>.</p>
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		<title>STJ mantém multa de R$ 254 mil ao Facebook por demora na reativação de página do Instagram</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 03:03:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Facebook demorou 127 dias para cumprir a determinação judicial. A reportagem a seguir trata de um caso julgado pelo STJ que foi ajuizado pelo escritório Frullani Lopes Advogados. A 4ª turma do STJ manteve acórdão do TJ/SP que condenou o Facebook a pagar multa acumulada de R$ 254 mil em razão da demora no cumprimento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-subtitle">Facebook demorou 127 dias para cumprir a determinação judicial.</h3>
<p>A reportagem a seguir trata de um caso julgado pelo STJ que foi ajuizado pelo escritório Frullani Lopes Advogados.</p>
<p>A 4ª turma do STJ manteve acórdão do TJ/SP que condenou o Facebook a pagar multa acumulada de R$ 254 mil em razão da demora no cumprimento de ordem judicial para reativação de um perfil na rede social Instagram, de sua propriedade.</p>
<p>Leia o<span> </span><a href="https://migalhas.uol.com.br/arquivos/2020/9/9C82DEF6FAA116_acordaoSTJmultafacebook.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">acórdão</a>.</p>
<p>Reportagem publicada pelo<span> </span><a href="https://migalhas.uol.com.br/quentes/332732/stj-mantem-multa-de-r-254-mil-ao-facebook-por-demora-na-reativacao-de-pagina-do-instagram" rel="nofollow noopener" target="_blank">Migalhas</a></p>
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		<title>O entrincheiramento da direita nas redes sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 03:01:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Grupos radicais tendem a criar suas próprias plataformas digitais para fugir de restrições de conteúdo, que se mostraram mais necessárias durante a pandemia As grandes empresas de tecnologia que administram redes sociais estão, mais do que nunca, sentindo-se pressionadas a alterar suas políticas de combate à desinformação e ao discurso de ódio. A pandemia de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-subtitle">Grupos radicais tendem a criar suas próprias plataformas digitais para fugir de restrições de conteúdo, que se mostraram mais necessárias durante a pandemia</h3>
<p>As grandes empresas de tecnologia que administram redes sociais estão, mais do que nunca, sentindo-se pressionadas a alterar suas políticas de combate à desinformação e ao discurso de ódio. A pandemia de covid-19 tem exercido forte influência nesse sentido, em virtude da constatação de que <a href="https://frullanilopes.adv.br/em-tempos-de-coronavirus-ha-tambem-a-pandemia-da-desinformacao/">notícias falsas ou distorcidas</a> envolvendo a doença causam danos à saúde e à vida das pessoas. Trata-se de um momento muito importante, em que decisões tomadas tanto por essas empresas quanto por órgãos de regulação estatais podem causar impactos profundos no cenário do debate público ao longo dos próximos anos.</p>
<p>No Brasil, vários movimentos indicam a mudança de postura das plataformas digitais. Publicações em que o<a href="https://frullanilopes.adv.br/bolsonaro-pode-bloquear-pessoas-que-o-criticam-no-twitter/"> presidente Jair Bolsonaro</a> negava a gravidade da pandemia e aparecia, em vídeos, cumprimentando pessoas na rua e gerando aglomerações foram excluídas do Twitter, do Facebook e do Instagram recentemente. No início de julho, foram banidas algumas contas vinculadas a assessores do presidente e de seus filhos por comportamento que fere os termos de uso do Facebook. Já um projeto de lei voltado ao combate à desinformação foi aprovado no Senado Federal.</p>
<p>O Twitter também fechou o cerco contra Donald Trump, inserindo avisos contra o conteúdo inverídico em algumas de suas publicações. O presidente dos EUA colocava em dúvida a confiabilidade do voto pelo correio no país, que pode se mostrar necessário em decorrência das recomendações de distanciamento social serem a principal forma de controlar a disseminação do novo coronavírus. Em resposta à ação da plataforma, Trump expediu uma ordem executiva com potencial de ampliar a responsabilização das empresas por conteúdos postados pelos usuários. Apesar de o Facebook ter discordado dessa postura no início, agora se vê obrigado a repensar seus planos, em função de uma campanha de boicote à publicidade em suas plataformas, apoiada por uma série de grandes empresas. O Reddit excluiu um fórum de apoiadores de Trump, enquanto o Twitch suspendeu sua conta de campanha.</p>
<h2>Combate a desinformação pressiona as plataformas digitais</h2>
<p>Essa pressão sobre as redes sociais não é uma novidade. Há muitos anos discutem-se formas de combate à desinformação e ao discurso de ódio nessas plataformas. Porém, boa parte delas sempre manteve uma retórica de defesa da<a href="https://frullanilopes.adv.br/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg/"> liberdade de expressão</a> quase absoluta. São vários os motivos que explicam esse discurso, mas dois devem ser destacados: em primeiro lugar, a estratégia de não serem confundidas com empresas de mídia, e assim evitar a responsabilização pelo conteúdo postado pelos usuários; em segundo lugar, como quase todas estão sediadas nos EUA, seguem a doutrina bastante protetora da liberdade de expressão do país, segundo a qual devem ser limitadas apenas as “incitações à ação legal iminente”, isto é, quando há risco de que a expressão possa causar algum dano concreto.</p>
<p>Em anos anteriores, as gigantes de tecnologia precisaram reconhecer que, em alguns casos, notícias falsas e discurso de ódio podem contribuir concretamente para a violência. O Facebook admitiu, por exemplo, que a disseminação de notícias falsas contribuiu diretamente para diversos ataques perpetrados contra membros da minoria muçulmana rohingya em Mianmar. O WhatsApp, do mesmo grupo econômico do Facebook, limitou o número de compartilhamento de mensagens após informações falsas motivarem linchamentos na Índia.</p>
<p>Outro fator que se somou à onda de pressão sobre as redes sociais foram os protestos subsequentes ao assassinato de George Floyd por um policial nos EUA. A cena revoltante da morte por asfixia estimulou manifestações naquele país e depois em vários outros lugares do mundo, exigindo medidas mais concretas de combate ao racismo. Certamente, os danos econômicos e sociais causados pela pandemia também contribuíram para o aumento da indignação, já que vários estudos apontam que a população tem sido atingida de forma extremamente desigual, com os negros entre os mais prejudicados.</p>
<p>O negacionismo expresso por políticos de extrema direita quanto a esses problemas sociais também se estendeu para a pandemia. A partir de março, mês em foram adotadas medidas mais radicais de distanciamento social em todos os continentes, houve a disseminação de diversas notícias falsas, seja sobre a origem do vírus, a eficácia de medidas recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) ou a existência de curas milagrosas. Esse negacionismo não se restringe à extrema direita, mas, em especial nos EUA e no Brasil, foram os presidentes Trump e Bolsonaro e seus apoiadores que mais ajudaram a disseminar desinformação sobre a doença.</p>
<p>Trata-se de fato notório que a onda de extrema direita que atingiu vários países se alimentou da dinâmica das redes sociais, como Twitter, Facebook e YouTube. A mudança de postura dos administradores dessas plataformas em semanas recentes, em decorrência das pressões advindas da sociedade, de governos e de grandes empresas, causou uma migração de extremistas para uma plataforma que garante liberdade praticamente absoluta, chamada Parler.</p>
<p>Criada em 2018 pelo americano John Matzer, a plataforma ainda é muito pequena em comparação às gigantes, mas começou a ganhar relevância quando apoiadores de Donald Trump passaram a se inscrever nela, alegando que seriam “perseguidos” pelas redes sociais tradicionais. Como não poderia deixar de ser, os apoiadores de Jair Bolsonaro seguiram o mesmo caminho no Brasil. O próprio presidente brasileiro já tem um perfil na plataforma, assim como seus filhos.</p>
<p>Esse movimento é relevante por diversas razões. Em anos recentes, costumou-se dizer que os algoritmos das redes sociais formavam “bolhas” nas quais as pessoas apenas acompanhavam opiniões semelhantes às delas; agora, há uma tendência de que a bolha de extrema direita migre parcialmente para outra plataforma. Isso deve dificultar ainda mais o diálogo e tende a criar um nicho mais radicalizado de pessoas que se sentirão à vontade para proferir discursos de ódio e compartilhar desinformação. Além disso, será mais difícil o acompanhamento pela imprensa e pela sociedade em geral do conteúdo postado pelas pessoas desse espectro político, já que se trata de uma rede social ainda pouco povoada.</p>
<p>Não é plausível imaginar que haverá um abandono completo das grandes redes sociais por parte dos políticos de extrema direita e seus apoiadores, já que elas ainda são importantes para se comunicar com boa parte da população, além de serem “termômetros” da opinião pública. Deve haver, no entanto, uma certa segmentação de conteúdo. Isto é, as ideias mais radicais e, dependendo do caso, ilícitas, serão deixadas para o Parler, fugindo-se, assim, do controle exercido pelas grandes plataformas, consideradas “esquerdistas” por eles.</p>
<p>A pandemia do novo coronavírus escancarou, portanto, o problema da disseminação de discurso de ódio e de desinformação nas redes sociais. Esses conteúdos produzem efeitos não apenas no campo simbólico, mas estimulam comportamento antissocial e violência contra os setores mais vulneráveis da população. Não se deve pensar, porém, que a adoção de medidas mais concretas pelas grandes redes sociais representa uma vitória definitiva. Na verdade, a polarização dentro das redes deve passar por uma mutação, chegando-se agora à polarização entre redes, situação na qual parte delas controlará o conteúdo postado, enquanto a outra parte garantirá liberdade praticamente absoluta aos usuários.</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/debate/2020/O-entrincheiramento-da-extrema-direita-nas-redes-sociais" rel="nofollow noopener" target="_blank">Nexo Jornal</a>.</p>
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		<title>O caos nas redes em meio à pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 02:57:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Devem ser discutidos mecanismos que aumentem a segurança e a confiança Nas últimas semanas, aumentou a tensão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e as grandes empresas de tecnologia que administram redes sociais. Em 26 de maio, o Twitter inseriu advertências em uma publicação na qual Trump afirmou que o governador da Califórnia estaria [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-subtitle">Devem ser discutidos mecanismos que aumentem a segurança e a confiança</h3>
<p>Nas últimas semanas, aumentou a tensão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e as grandes empresas de tecnologia que administram redes sociais. Em 26 de maio, o Twitter inseriu advertências em uma publicação na qual Trump afirmou que o governador da Califórnia estaria tentando promover a votação para a eleição presidencial deste ano por correio para fraudá-la. Abaixo de cada postagem, a rede social remeteu os usuários a páginas que negam as afirmações do presidente. Além disso, inseriu uma notificação informando que agências de checagem afirmaram que não há evidências envolvendo fraudes em votações por correios.</p>
<p>Já no dia 29, foi ocultada uma publicação na qual o presidente norte-americano afirmou que a polícia deveria atirar caso houvesse saques nas manifestações que eclodiram após o assassinato de George Floyd por um policial. Esse “post” não foi excluído, mas ocultado, isto é, o usuário precisava ler uma notificação na qual o Twitter avisava que o conteúdo continha incentivo a violência antes de visualizá-lo. Além disso, houve limitação do alcance da publicação, ou seja, menos pessoas a visualizaram no “feed”. Mas a rede social considerou que era de interesse público não excluir a publicação.</p>
<p>Em seguida, o CEO do Facebook criticou a decisão tomada pelo Twitter. A rede social de Mark Zuckerberg manteve no ar exatamente as mesmas publicações, e por isso sofreu críticas públicas de vários de seus funcionários. Curiosamente, no Brasil tanto o Facebook quanto o Instagram (empresa do mesmo grupo econômico) seguiram o Twitter, no fim de março, na decisão de excluir (não simplesmente ocultar ou inserir advertências) publicações em que o presidente Jair Bolsonaro passeava pelas ruas do Distrito Federal em plena pandemia e tratava de remédios cuja eficácia não tem comprovação científica. Nesse caso, as redes sociais avaliaram que as informações transmitidas por Bolsonaro geravam risco de causar danos reais às pessoas.</p>
<h2>A polêmica da exclusão de post durante a pandemia</h2>
<p>O debate sobre o papel que deve ser exercido pelas redes sociais quanto à imposição de limites ao direito de liberdade de expressão precede a pandemia, mas o clima tenso escancarou e amplificou essa questão. Nos EUA, Trump expediu um decreto que pode levar a uma relativização da proteção que as redes sociais possuem quanto à responsabilidade por conteúdos postados por seus usuários. No Brasil, dois Projetos de Lei, sendo de autoria dos deputados Felipe Rigoni e Tabata Amaral (nº 1.429/2020), e outro do Senador Alessandro Vieira (nº 2.630/2020), podem levar a alterações no<a href="https://frullanilopes.adv.br/a-responsabilidade-do-provedor-no-marco-civil-da-internet/"> regime de responsabilidade civil dos provedores de aplicações</a> (como Facebook e Twitter).</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p>Se nos dois casos as redes sociais foram colocadas contra a parede, as motivações são bastante distintas. Trump busca exercer uma pressão para que as empresas flexibilizem as regras de controle de conteúdo; no Brasil, o objetivo do Projeto de Lei é o oposto, isto é, forçar as empresas a aumentar o controle.</p></blockquote>
<p>A polêmica sobre o papel das redes sociais no controle da liberdade de expressão vai muito além das chamadas <a href="https://frullanilopes.adv.br/em-tempos-de-coronavirus-ha-tambem-a-pandemia-da-desinformacao/">“fake news”, ou “desinformações”</a>. A ocultação do post de Trump no dia 29 não ocorreu por desinformação, mas por incentivo à violência, por exemplo. Se essa mesma publicação tivesse sido feita por um cidadão comum, talvez a publicação fosse excluída, mas como foi realizada pelo presidente dos EUA, há um interesse histórico pela sua preservação, o que provavelmente motivou o Twitter a simplesmente ocultar e inserir uma advertência. Mas não está claro o motivo pelo qual o mesmo critério não foi adotado no caso do presidente brasileiro.</p>
<p>Há problemas mais sérios a serem enfrentados do que a falta de responsabilização das redes sociais por conteúdos postados por terceiros. A instabilidade e a falta de transparência e uniformidade dos critérios utilizados por essas empresas é um desses. Atualmente, as grandes empresas sediadas no Vale do Silício praticamente dominam o debate público. Políticos utilizam as redes sociais para um contato “direto” e “sem filtros” com a população. Partidos e movimentos sociais usam as redes sociais para mobilizarem o público por determinadas causas.</p>
<p>Contudo, os critérios utilizados por essas empresas para moderar o debate público são pouco claros e mudam a todo instante, a depender dos interesses momentâneos. Conforme descrito acima, apesar de Mark Zuckerberg ter criticado a ocultação da publicação de Trump, há pouco mais de dois meses o Instagram excluiu vídeos de Bolsonaro; na mesma linha, o Twitter não apresenta clareza sobre os critérios utilizados para decidir se um “post” será excluído, ocultado, se será inserida uma notificação ou se o alcance será diminuído. A questão do alcance, aliás, é ainda mais opaca, já que praticamente não há qualquer transparência dos meios tecnológicos usados para esse fim. O que justifica o fato de uma pessoa continuar recebendo essa publicação com destaque, enquanto outra não?</p>
<p>Essa falta de clareza e de uniformidade dos critérios acaba sendo um ótimo pretexto para que políticos com viés autoritário afirmem que estão sofrendo censura. Por outro lado, os usuários também ficam confusos quanto aos motivos que levaram determinada publicação a ser excluída, mantida, ter seu alcance reduzido ou ocorrer uma mera adição de uma advertência.</p>
<p>O tema é delicado e merece profundas reflexões e discussões. As redes sociais não podem, de fato, ter uma margem de decisão tão ampla sobre o que pode ou não ser objeto de debate público. Mas, em vez de se colocar um foco exclusivo no controle prévio de conteúdo, devem ser discutidos mecanismos que aumentem a segurança e a confiança dos usuários nas redes sociais, estabelecendo, dentre outros pontos, critérios mais uniformes e objetivos para exclusão, restrição do alcance de publicações ou adição de advertências. Essa discussão não pode, porém, ser feita de forma afoita. Não será uma regulamentação apressada das redes sociais que resolverá o problema da desinformação durante a pandemia.</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/o-caos-nas-redes-em-meio-a-pandemia-19062020" rel="nofollow noopener" target="_blank">Jota</a>.</p>
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		<title>Em tempos de coronavírus, há também a pandemia da desinformação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 02:56:52 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A pandemia da Covid-19 não é a primeira da história da humanidade, mas há um fator inédito que será fundamental para a quantidade de infectados e de mortos que será contabilizada ao final: a influência das redes sociais. Se por um lado ferramentas como Facebook, Instagram, YouTube, Twitter e Whatsapp podem ser úteis para que governos, entidades internacionais, imprensa e pesquisadores possam informar a sociedade sobre o avanço da doença e sobre as medidas que devem ser tomadas para evitar o contágio, por outro essas mesmas plataformas também são utilizadas como meio fértil para<a href="https://frullanilopes.adv.br/o-caos-nas-redes-em-meio-a-pandemia/"> disseminação de notícias falsas ou distorcidas.</a></p>
<p>Se em situações ordinárias esse fato já é preocupante, numa pandemia trata-se de algo alarmante, que pode causar milhões de mortes ao redor do mundo. As gigantes de tecnologia que são donas dessas plataformas costumam ser bastante cautelosas quanto à exclusão de conteúdo e de perfis, até porque estão sediadas nos Estados Unidos da América, país com uma tradição bastante protetiva da liberdade de expressão.</p>
<p>Essa abordagem bastante liberal está subjacente a decisões de diminuir o alcance de determinadas publicações no Facebook ou retirar a “monetização” de vídeos no YouTube, por exemplo, mas <a href="https://frullanilopes.adv.br/sites-e-aplicativos-nao-podem-bloquear-usuarios-sem-justificativa/">excluir o conteúdo</a> apenas em casos muito extremos.</p>
<p>Sendo assim, é muito fácil encontrar nas redes sociais perfis que divulgam teorias de que a Terra é plana, de que vacinas podem causar doenças em crianças ou de que o aquecimento global causado pela atividade humana é uma invenção de globalistas.</p>
<p>Essa permissividade com conteúdos claramente falsos, que se iniciou nas redes sociais, também chegou à mídia tradicional. Mesmo que a esmagadora maioria dos cientistas afirme que o aquecimento global é causado por atividades humanas, é normal assistir a debates em rádios, canais de TV e jornais que colocam em equivalência uma pessoa que defende a posição embasada pela ciência e outra que defende a posição contrária. Claro, muitas vezes esse segundo lado do debate busca mascarar seus argumentos anticientíficos com base em um outro estudo realizado por um pesquisador irrelevante. Assim, semeia-se a dúvida: se não é possível ter certeza de que esse problema é causado pela atividade humana, então não há motivos para preocupação.</p>
<p>Essa mesma tática de semeação da dúvida a partir de “achismos” está sendo empregada por grupos negacionistas nos últimos dias. Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) e de quase todos os países do mundo que estão sofrendo os efeitos da pandemia recomendarem medidas radicais de isolamento social, fundamentando-se em estudos científicos, no Brasil há uma onda de desinformação que sustenta que todos devem voltar à vida normal com a maior brevidade possível.</p>
<p>Para fundamentar essa posição anticientífica, vale tudo: afirmação de que o país está próximo de encontrar a cura para a doença; compartilhamento de notícias e vídeos antigos; disseminação de teorias da conspiração de que o vírus teria sido criado propositalmente pelo governo chinês para aumentar sua influência sobre o mundo. E, claro, para completar o cenário, ignoram-se as notícias que mostram que a orientação de voltar à vida normal apenas aumenta o número de mortes, como ocorreu no Reino Unido e em Milão, que mudaram a orientação após a explosão do número de casos.</p>
<p>Nesse cenário, as gigantes do Vale do Silício não podem se omitir. Deve haver um controle rigoroso para que conteúdos negacionistas sejam excluídos com celeridade. Perfis que violarem reiteradamente essa regra devem ser excluídos, sejam eles pertencentes a reis, príncipes herdeiros ou bobos da corte.</p>
<h2>Pandemia acelerou a desinformação</h2>
<p>Nessas primeiras semanas de quarentena, algumas dessas empresas vêm cumprindo um papel importante no combate à desinformação. Após divulgar que não toleraria informações falsas sobre a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro viu algumas de suas publicações no Twitter, no Instagram e no Facebook serem apagadas. O Twitter também excluiu publicações do senador Flávio Bolsonaro, do ministro Ricardo Salles e de Silas Malafaia.</p>
<p>A exclusão dessas publicações se fundamenta na tradição jurídica estadunidense sobre liberdade de expressão. Em 1919, o juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos Oliver Wendell Holmes fez referência a uma metáfora para explicar os limites que devem ser colocados à liberdade de expressão. No célebre caso “<em>Schenk v. United States”</em>, Holmes afirmou que esse direito não poderia proteger uma pessoa que gritasse falsamente “fogo!” em um teatro lotado, causando pânico. No ano de 1969, no caso “<em>Brandenburg v. Ohio”</em>, a Suprema Corte criou o teste da “incitação à ação ilegal iminente”, segundo o qual uma expressão ou manifestação pode ser restringida apenas se houver intenção de incitar uma ação ilegal iminente e se houver risco real de essa ação ser efetivada.</p>
<p>Conforme explicado acima, apesar da cautela no tratamento às restrições à liberdade de expressão, há precedentes nos últimos anos de medidas adotadas para enfrentar riscos reais à vida, à saúde e à integridade física das pessoas. Em 2018, o Whatsapp precisou limitar o número de compartilhamentos de mensagens em função de uma série de linchamentos que ocorriam na Índia em função de boatos; no mesmo ano, em Myanmar e em Sri Lanka, o Facebook decidiu excluir publicações que estimulavam agressões a minorias étnicas. Durante uma pandemia tão grave como esta que o mundo enfrenta em 2020, informações erradas sobre os riscos que a doença apresenta e sobre formas de tratá-la acarretam risco real de danos à vida de todos os cidadãos.</p>
<p>A remoção de publicações por parte de empresas privadas causa controvérsia em função da ausência de legitimidade para decidir sobre o que as pessoas podem ou não publicar. De fato, esse risco existe, mas não há outra forma de combater o risco causado por campanhas de desinformação disseminadas por redes sociais que não seja a exclusão imediata das publicações por parte das próprias empresas. Cabe à sociedade exigir que as redes sociais apresentem critérios objetivos e transparentes, que comuniquem a cada usuário os fundamentos da exclusão de uma publicação ou de suspensão de perfil e que forneçam um mecanismo interno por meio do qual o usuário pode pedir a revisão dessas decisões. Para qualquer usuário que se sentir prejudicado indevidamente, cabe o recurso ao Poder Judiciário <a href="https://www.conjur.com.br/2020-abr-21/frullani-lopes-pandemia-desinformacao#_ftn1" rel="nofollow noopener" target="_blank">[1]</a>.</p>
<p>Portanto, há limites que não devem ser ultrapassados. Se a liberdade de expressão for utilizada para disseminar desinformação capaz de levar a uma explosão do número de infectados e de mortos por uma doença, não pode haver tolerância por parte das redes sociais. Retomando a metáfora do incêndio mencionada pelo Juiz Holmes, na pandemia da Covid-19 há, de certa forma, uma inversão: existe o incêndio, mas há aqueles que insistem em negar que o fogo possa causar danos às pessoas. Obviamente, em uma situação de pandemia, até mesmo essas grandes empresas enfrentam uma diminuição do número de moderadores. Porém, elas devem deixar centrar os maiores esforços possíveis para enfrentar essa onda de desinformação. Caso contrário, as redes sociais servirão como combustível para aumentar ainda mais o incêndio. Ao mesmo tempo, não devem se descuidar da necessidade de se fundamentar em critérios objetivos e transparentes ao restringir um direito fundamental como a liberdade de expressão.</p>
<hr class="wp-block-separator" />
<p><a href="https://www.conjur.com.br/2020-abr-21/frullani-lopes-pandemia-desinformacao#_ftnref1" rel="nofollow noopener" target="_blank">[1]</a> Um documento que deve servir de guia para a exclusão de publicações pelas redes sociais é fruto de um grupo que reuniu acadêmicos e instituições sem fins lucrativos, que criaram os “Princípios de Santa Clara”. Disponível em &lt; <a href="https://santaclaraprinciples.org/open-letter/spanish/" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://santaclaraprinciples.org/open-letter/spanish/</a>&gt;. Acesso em 02 de abril de 2020.</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-abr-21/frullani-lopes-pandemia-desinformacao" rel="nofollow noopener" target="_blank">Conjur</a>.</p>
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		<title>Sites e aplicativos não podem bloquear usuários sem justificativa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 02:33:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O usuário que sofrer uma suspensão ou bloqueio de acesso aos perfis de redes sociais e não receber uma justificativa razoável e proporcional por parte do provedor tem o direito de reivindicar o restabelecimento do acesso. O roteiro é conhecido: o usuário abre seu celular ou computador para verificar as últimas novidades nas redes sociais, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-subtitle">O usuário que sofrer uma suspensão ou bloqueio de acesso aos perfis de redes sociais e não receber uma justificativa razoável e proporcional por parte do provedor tem o direito de reivindicar o restabelecimento do acesso.</h3>
<p>O roteiro é conhecido: o usuário abre seu celular ou computador para verificar as últimas novidades nas redes sociais, ou para verificar algum arquivo salvo na nuvem, e descobre que seu <a href="https://frullanilopes.adv.br/a-nova-fase-de-regulacao-das-redes-sociais/">acesso está bloqueado</a>. Imaginando se tratar de um problema temporário, o usuário tentar entrar em contato com a plataforma, mas recebe apenas respostas automáticas no sentido de que houve alguma violação dos seus termos de uso, mas não esclarece o que teria ocorrido. Muitas vezes, as respostas são apenas em inglês, e não há qualquer número de telefone disponível. O usuário fica impossibilitado até mesmo de ter acesso a dados e a arquivos armazenados.</p>
<p>Esse cenário se repete em redes sociais, servidores de e-mail e servidores de armazenamento em nuvem, apenas para citar alguns exemplos. Em muitos casos, a falta de transparência dessas empresas acaba não deixando alternativa aos usuários que não seja o ajuizamento de um processo judicial.</p>
<p>Essa postura reflete uma ideia ultrapassada de que as empresas são livres para fazer o que quiserem com os perfis, os dados e os arquivos das pessoas. Hoje em dia, porém, esses elementos formam a identidade digital e a imagem das pessoas no meio social. Não se mostra razoável a suspensão dos perfis sem que haja uma justificativa razoável e transparente, assim como não é juridicamente cabível a apropriação dos dados e arquivos das pessoas, sem que seja disponibilizada a ela a possibilidade de obter uma cópia deles.</p>
<h2>O que o Código de Defesa do Consumidor trata sobre o bloqueio de usuários pelas redes sociais</h2>
<p>O usuário de plataformas como as mencionadas acima é consumidor, nos termos do artigo 2º do <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Código de Defesa do Consumidor</a> (lei 8.078/90), uma vez que se trata de pessoa física ou jurídica que utiliza o serviço prestado pelo réu como destinatário final. Já as empresas que administram essas plataformas são fornecedoras, nos termos do artigo 3º da mesma lei, uma vez que prestam serviços no mercado de consumo. Ainda que o uso de alguns desses serviços seja “gratuito”, existe remuneração indireta por meio de publicidade e pelo uso dos dados pessoais do autor.</p>
<p>Ao suspender o acesso às contas e aos perfis sem aviso prévio e sem a apresentação de justificativa razoável e proporcional, os provedores violam uma série de normas consumeristas, por exemplo as do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor: a) ao não informar qual teria sido a violação dos termos de uso, descumprem o direito básico do consumidor à “educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações” (inciso II); b) ao adotarem uma prática abusiva, descumprem o direito do consumidor à proteção “contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços” (inciso IV).</p>
<p>Tratando de cláusulas abusivas, o artigo 50 do Código de Defesa do Consumidor estabelece serem nulas de pleno direito as cláusulas que “estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade” (inciso IV), que “autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor” (inciso XI). Além disso, o parágrafo 1º do mesmo artigo prevê que é presumida exagerada a vantagem que “ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence” (inciso I), “restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual” (inciso II) ou “se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso” (inciso III).</p>
<p>Os termos de uso das plataformas não estão acima das leis. Ainda que prevejam a possibilidade de suspensão de contas sem aviso prévio e a critério do provedor, qualquer medida desse tipo deve ocorrer apenas se ficar comprovada infração grave. O provedor também deve fornecer informações transparentes sobre os motivos que o levaram a tomar essa atitude, justificando por que uma advertência ou o bloqueio parcial de algumas funcionalidades não seria suficiente, bem como possibilitar ao usuário <em>link </em>para <em>download </em>de seus dados e arquivos armazenados, quando não houver motivo razoável para impedi-lo de fazer isso.</p>
<p>Deve-se ressaltar que foi sancionada em 2018 a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13709.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Lei Geral de Proteção de Dados</a> (lei 13.709/18), ou LGPD, que prevê uma série de parâmetros que devem ser seguidos pelos agentes de tratamento de dados pessoais. A LGPD deixa claro que o indivíduo em relação ao qual os dados se referem é <strong>titular</strong> destes. Assim, ele tem direito de controlar e de ser informado da forma pela qual seus dados são tratados. Um princípio fundamental da lei é o da autodeterminação informativa, previsto no inciso II do artigo 2º.</p>
<p>Além disso, ao prever os direitos dos titulares de dados, o artigo 18 da LGPD prevê o direito de acesso aos dados (inciso II) e a portabilidade dos dados a outro fornecedor de serviço ou produto (inciso V).</p>
<p>Ou seja, os provedores não são dono dos dados e dos arquivos que os usuários armazenam em suas contas ou perfis. A qualquer momento, seja durante a relação contratual ou após o seu término, o autor tem direito de acessar ou de fazer o <em>download</em> de todos esses dados e arquivos. Ainda que tenha ocorrido alguma violação da lei ou dos termos de uso por parte do usuário, em regra essas informações devem ser disponibilizadas. As plataformas devem apresentar justificativas razoáveis e proporcionais para impedir o acesso do usuário a estes.</p>
<p>Portanto, o usuário que sofrer uma suspensão ou bloqueio de acesso aos perfis de redes sociais e não receber uma justificativa razoável e proporcional por parte do provedor tem o direito de reivindicar o restabelecimento do acesso, ou ao menos a disponibilização de <em>link </em>para <em>download </em>dos dados e arquivos armazenados.</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://migalhas.uol.com.br/depeso/322264/sites-e-aplicativos-nao-podem-bloquear-usuarios-sem-justificativa?fbclid=IwAR2OE46ShrOX3TsaFk8UImLa_D1TG0-IWJwSBG492nEnFjeuGyue7rE37X4" rel="nofollow noopener" target="_blank">Migalhas</a>.</p>
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		<title>A liberdade de expressão segundo Mark Zuckerberg</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 02:26:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[digital]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
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					<description><![CDATA[No dia 17 de outubro, o criador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, proferiu um discurso sobre liberdade de expressão na Universidade de Georgetown. Sob pressão em função de investigações de seu monopólio sobre o mercado publicitário e a gestão de dados de usuários1, além do avanço da ideia de que gigantes de tecnologia devem ser divididos em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 17 de outubro, o criador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcLSU17M3Lw" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">proferiu um discurso sobre liberdade de expressão na Universidade de Georgetown</a>. Sob pressão em função de investigações de seu monopólio sobre o mercado publicitário e a gestão de dados de usuários<sup><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote1sym" rel="nofollow noopener" target="_blank">1</a></sup>, além do avanço da<a href="https://www.jota.info/tributos-e-empresas/regulacao/o-futuro-das-big-techs-25062019" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"> ideia de que gigantes de tecnologia devem ser divididos</a> em empresas menores<sup><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote2sym" rel="nofollow noopener" target="_blank">2</a></sup>, Zuckerberg tentou apresentar a rede social como um baluarte da liberdade de expressão. Porém, sua visão mostra-se antiquada em um mundo que ele mesmo ajudou a criar.</p>
<p>As ideias expressas por Zuckerberg foram maturadas ao longo dos últimos anos. Em 2016, o Facebook possuía uma equipe de pessoas com formação ou experiência em jornalismo que moderavam os <em>Trending Topics </em>da plataforma. Assim, essa equipe poderia incluir ou excluir determinado assunto nessa lista.</p>
<p>Havia, claramente, interferência das <a href="https://frullanilopes.adv.br/2020-deve-ser-ano-central-para-a-regulacao-das-redes-sociais-nos-eua/">políticas da rede social</a> nas decisões sobre quais assuntos deveriam ficar em destaque. No desenrolar da candidatura de Donald Trump para a presidência dos EUA, conservadores passaram a sustentar que esse mecanismo diminuía artificialmente o alcance de conteúdo favorável a ele.</p>
<p>A polêmica levou à demissão da equipe de moderadores<sup><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote3sym" rel="nofollow noopener" target="_blank">3</a></sup>. Depois disso, o Facebook anunciou que seu algoritmo seria modificado para favorecer conteúdo postado pelos amigos e familiares dos usuários. Conhece-se o resto da história: a plataforma foi muito utilizada para a disseminação de notícias falsas e descontextualizadas, além de ter contribuído para o crescimento de grupos de extrema direita em vários países.</p>
<p>Desde então, a rede social passou a ser bastante criticada pela esquerda, que atribui a Zuckerberg parte da responsabilidade pelo <a href="https://frullanilopes.adv.br/o-entrincheiramento-da-direita-nas-redes-sociais/">avanço dessas ideias extremistas.</a> Agora, a um ano da eleição presidencial nos EUA, o assunto está em alta em razão da preocupação com a possível manipulação da opinião pública por meio da rede social. Há algumas semanas, o Facebook defendeu sua decisão de não excluir um anúncio pago por um político que continha uma informação claramente falsa sobre a pré-candidata democrata <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/as-propostas-de-wealth-tax-e-a-corrida-presidencial-de-2020-nos-eua-30102019" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Elizabeth Warren</a>, o que gerou muitas críticas.</p>
<p>O discurso do CEO do Facebook deve ser entendido, portanto, de acordo com o contexto atual.</p>
<p>Zuckerberg encontra-se pressionado por todos os lados do espectro político, além de sofrer investigações tanto nos EUA quanto na Europa em função de seu monopólio no mercado publicitário e na gestão de dados de usuários. Nesse cenário, ele buscou reforçar uma suposta neutralidade da rede social, que garantiria aos cidadãos de todo o mundo um espaço livre para a expressão de ideias.</p>
<h2>O discursso de Zuckerberg sobre a liberdade expressão</h2>
<p>Para isso, o CEO buscou se amparar em uma doutrina bastante permissiva da liberdade de expressão que é adotada pelo seu país de origem. A Suprema Corte dos EUA consagrou, em 1964, na decisão do caso <em>New York Times v. Sullivan</em>, que difamações a políticos e funcionários públicos devem ser protegidas pela Primeira Emenda da Constituição, ainda que se baseiem em mentiras.</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p>De acordo com Zuckerberg, não cabe a uma empresa privada como o Facebook exercer moderação sobre críticas que as pessoas fazem a políticos na rede social, ainda que se trate de um anúncio pago criado por um político concorrente.</p></blockquote>
<p>Porém, Zuckerberg ignorou em seu discurso diversos pontos importantes. A doutrina dominante nos EUA sobre liberdade de expressão se baseia na premissa de que deve haver um “mercado livre de ideias” (<em>marketplace of ideas</em>), no qual a circulação de ideias deve ser totalmente livre, para que as melhores prevaleçam sobre as piores. Mas essa doutrina foi criada em um mundo anterior à internet e às redes sociais.</p>
<p>A circulação de ideias no Facebook não se dá de forma livre, mas depende da <strong>arquitetura dos algoritmos adotados</strong> pela empresa. Diversas pesquisas mostram que não são as ideias mais razoáveis que tendem a se destacar no Facebook e em outras redes sociais, mas as que tendem a atingir de forma mais eficaz as emoções dos usuários.</p>
<p>Além disso, o domínio de Facebook e de Google sobre o mercado publicitário digital prejudica financeiramente empresas jornalísticas sérias, o que leva a uma diminuição da circulação de conteúdo de qualidade. Como se não bastasse, o Facebook diminui o alcance de “posts” que contenham links que possam levar o usuário para fora da rede social.</p>
<p>A defesa da neutralidade da plataforma também não se sustenta. Uma simples decisão de Zuckerberg, como a tomada no início de 2018 no sentido de favorecer conteúdo produzido por amigos e familiares<sup><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote4sym" rel="nofollow noopener" target="_blank">4</a></sup>, diminuiu muito o alcance de conteúdo produzido por jornais.</p>
<p>Além disso, Zuckerberg se arvora na ideia de que o Facebook seria composto por uma comunidade de bilhões de usuários em condição de igualdade que podem expor livremente e de forma gratuita suas ideias e influenciar as outras pessoas. Nada mais enganoso. O Facebook não excluiu, mas pode até mesmo ter ampliado, a importância do dinheiro para a amplificação de ideias. Ou seja, é necessário pagar para que o conteúdo criado tenha um grande alcance.</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p>Os fatos apresentados acima evidenciam que a defesa apaixonada da liberdade de expressão exposta por Zuckerberg não se sustenta no mundo atual.</p></blockquote>
<p>Na prática, sequer o Facebook aplica essa doutrina em sua integralidade, já que a rede social continua se arrogando ao direito de definir o que é uma imagem pornográfica (diversas polêmicas envolvem a exclusão de fotos que mostram seios de mulheres), por exemplo, além de estabelecer as diretrizes sobre o que ultrapassa os limites da liberdade de expressão, devendo ser excluído (em Mianmar e na Índia, o Facebook já admitiu ser necessário excluir determinados “posts” que podem levar a linchamentos<sup><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote5sym" rel="nofollow noopener" target="_blank">5</a></sup>).</p>
<p>Portanto, o criador do Facebook defende os interesses de sua empresa com base em uma doutrina que ainda possui bastante força nos EUA, mas que passa a ser cada vez mais questionada por não se adequar ao novo mundo que o próprio CEO ajudou a criar. A expectativa criada antes de seu discurso e a repercussão que houve depois são sintomas de um problema que precisa ser enfrentado: o alcance e os limites da liberdade de expressão das pessoas ao redor do mundo dependem das decisões de uma única pessoa, que representa exclusivamente seus próprios interesses.</p>
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<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote1anc" rel="nofollow noopener" target="_blank">1</a> Disponível em &lt;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/06/economia/1567786887_518632.html" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/06/economia/1567786887_518632.html</a>&gt;. Acesso em 30 de outubro de 2019.</p>
<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote2anc" rel="nofollow noopener" target="_blank">2</a> Disponível em &lt;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/04/internacional/1570189971_000536.html" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/04/internacional/1570189971_000536.html</a>&gt;. Acesso em 30 de outubro de 2019.</p>
<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote3anc" rel="nofollow noopener" target="_blank">3</a> Disponível em &lt;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37950265" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37950265</a>&gt;. Acesso em 30 de outubro de 2019.</p>
<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote4anc" rel="nofollow noopener" target="_blank">4</a> Disponível em &lt;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/12/tecnologia/1515730941_876050.html" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/12/tecnologia/1515730941_876050.html</a>&gt;.</p>
<p><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ#sdfootnote5anc" rel="nofollow noopener" target="_blank">5</a> Disponível em &lt;<a href="https://www.nytimes.com/2018/11/06/technology/myanmar-facebook.html" rel="nofollow noopener" target="_blank">https://www.nytimes.com/2018/11/06/technology/myanmar-facebook.html</a>&gt;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Publicado no<span> </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-liberdade-de-expressao-segundo-mark-zuckerberg-04112019?fbclid=IwAR0t-PpvQEx9qhF1i9-hEJCVXJQX11VuiOapc74N6UrnGzJEi4SdkAx47jQ" rel="nofollow noopener" target="_blank">Jota</a>.</p>
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		<title>Entrevista na Record News sobre exclusão de páginas no Facebook</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frullani Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 02:03:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O sócio Marcelo Frullani Lopes foi entrevistado por Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News. Ele tratou da polêmica envolvendo a exclusão de páginas e perfis ligados ao MBL no Facebook, além de outras questões envolvendo redes sociais e eleições: Tocador de vídeo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O sócio Marcelo Frullani Lopes foi entrevistado por Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News. Ele tratou da polêmica envolvendo a <a href="https://frullanilopes.adv.br/sites-e-aplicativos-nao-podem-bloquear-usuarios-sem-justificativa/">exclusão de páginas e perfis</a> ligados ao MBL no Facebook, além de outras questões envolvendo redes sociais e eleições:</p>
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